Archive for Março, 2008
"Não somos racistas"… por agora
Verdadeiramente os manifestantes da Corunha e Pontevedra não têm uma ideologia que justifique a sua atitude definindo aos ciganos dos bairros pobres como seres inferiores merecedores da exclusão social e do repúdio dos habitantes respeitáveis e brancos dos bairros “detodalavida”.
O que os move a manifestarse não é nenhum “Mein Kampf” com ansias de levar-se à prática nem nenhuma “Guerra Santa” contra o infiel calé. Nem tão sequer perseguem com cruzes cristãs incendiadas ao estilo do Ku Kux Klan a ninguém um pouco moreno de mais.
Assi pois, nem nazis, nem religiosos fanáticos…. de momento.
De momento digo, por que o que si são é racistas culturais. A cultura social dos “payos” corunheses e pontevedreses actua criando um sistema de hierarquização e categorização no que eles se situam em um plano de superioridade económica, social e política. Económica, porque dispõem de mais recursos; social, porque os postos de maior responsabilidade e respeitabilidade são maioritariamente ocupados por “payos”; e política porque ao ser maioria é a eles a quem se dirigem principalmente os políticos.
Os manifestantes, ao actuar como tales (é dizer, em grupo mais ou menos numeroso) começam a tomar consciência comum de tal superioridade e se convertem em pasto abonado para que qualquer um semente sobre eles uma ideologia racista. Consequência: não seria de estranhar que começaram a aparecer grupos neo-nazis em Pontevedra e em Corunha.
Por isto é que não consigo entender porque os políticos não condenam este tipo de manifestações. Nem consigo entender como é possível que em Corunha e ante presença policial (!!!!) um grupo de manifestantes impedisse o passo ao bairro de Mesoiro a uma furgoneta conduzida por um cigano, fizeram baixar ao assustado home, e o obrigaram a abrir o portão traseiro para comprovar que não estava de mudança.
Somos iguais em direitos e deveres também sem distinção de raça. Esto é assi por princípio e ademais por lei. As leis se podem cambiar, pero se mudamos alguns princípios básicos como este podem ocorrer duas cousas: ou a tirania ou a anarquia, ainda que em qualquer dos dous casos nos permitiram continuar votando.
Voto inútil
Como em tantas outras cousas baseadas únicamente em crenças e nom em dados, estas suposições estam cheias de erros. O feito de que estes erros sejam continuamente cacarejados por os políticos e os media (que nom podem de nenguma maneira ser ignorantes ao respeito á realidade do sistema eleitoral), fai pensar que quiçá pretendam que a gente insista em o seu erro por que isto favore-os. Quiçá…
Estes erros tão repetidos som os seguintes:
- - “É que senom, nom contan os votos”. MENTIRA. Todos os votos se contam. O que nom se fai é meter no reparto de escanos a aqueles que nom cheguen ao 5% dos votos totais válidos, porque, de todas maneiras, o teríam muito difícil para conseguir escano a nom ser que nom houvesse maiorias claras. Pero contar, contam-se TODOS.
- - “É un voto tirado ao lixo”. CERTO, pero tíranse ao lixo exactamente igual que todos, excepto os de aquelas mesas nas que haja reclamações ou os votos sobre cuja validade exista algum tipo de dúvida. Estes, e só estes, som remetidos á Junta Eleitoral de Zona para que delibere e decida.
- - “E que é um voto inútil por que total no vam sacar nada”. MENTIRA. A condiçom de voto inútil nom a dá votar a um partido minoritário. Se poidésemos fazer com os votos igual que se fai com as andorinhas para estudar os seus fluxos migratórios encontraríamo-nos com surpresas. Fagámo-lo figuradamente. Vamos pôr-lhe um anel ao voto de um “anti-voto inútil” que vote em a província de A Corunha.
Se fazemos a tábua correspondente ao reparto de escanos segundo a Lei D’Hont quedaría-nos o seguinte (clic para ampliar o quadro):
Bem, como se ve na táboa que ponho mais arriba ao BNG sobrárom-lhe em Corunha 17.523 votos para facer-se com o escano que obtivo. Bastaria-lhe com obter um só voto máis que a casilha 4 do PSOE para ter o único escano que obtivo. Poderia-se dizer que 17523 votos do BNG na província da Corunha foram inúteis.
Da mesma maneira no PP há 23.833 votos inúteis e no PSOE 17.306 votos inúteis. É dizer, se cada um de este partidos deixa-se de receber este número de votos o resultado manteria-se inalterável. Exactamente igual. Consequência: há mais votos inúteis no PP, no PSOE e no BNG que em IU.
Se o nosso votante “anti-voto inutil” visse que o seu voto debidamente marcado cae na bolsa de éstes votos sobrantes, estaria na situaçom de que a raçom que o levou a votar a um partido que nom o convence já nom serve, mas com o agravante de que os políticos de isse partido se ocuparam de ussar o seu voto para dizer “… e ademais subimos em votos!!!”. Pobre votante “anti-voto inutil!!!! nom só o seu voto resulta ser inútil a efeitos práticos se nom que se torna útil a efeitos perversos!!!.
Esto passa por nom tomarse a sério isso de que as “urnas som a expressom da vontade do povo”. Cada quem deveria de votar sempre o que considere máis próximo ás suas ideias. Nom facé-lo tem como consequência um bipartidismo que nom é outra cousa que a perpetuaçom no poder de uma oligarquia elitista.
Apanhados estamos.
Celebración de la voz humana
Los indios shuar, los llamados jíbaros, cortan la cabeza del vencido. La cortan y la reducen, hasta que cabe en un puńo, para que el vencido no resucite. Pero el vencido no está del todo vencido hasta que le cierran la boca. Por eso le cosen los labios con una fibra que jamás se pudre.
ETA NUNCA MAIS (fartos nos tendes)



